“Precisamos inovar a nós mesmos antes que o mercado o faça”. Não é uma frase incomum nos dias atuais. Empresas estabelecidas precisam inovar para manter o ritmo com as mais novas, as pequenas startups. Talvez nenhuma abordagem ganhou mais a mente das grandes empresas para se tornar mais leve do que o método da startup enxuta: criar e lançar rapidamente produtos mínimos viáveis (MVPs) e aí, interagir com o mercado para investir ou desistir do produto.

Sobre a autora:

Debbie Madden criou 5 empresas do nada e é a presidente de três delas. Ela é atualmente presidente da Stride, uma consultoria em desenvolvimento rápido de softwares na cidade de Nova York. Antes da Stride, Debbie foi a presidente da Cyrus Innovation, onde permaneceu por 10 anos e fez a empresa crescer e estar entre as 5.000 maiores empresas dos EUA, também recebeu o prêmio Crain’s NY de melhores lugares para se trabalhar.

Pegue o exemplo de Beth, diretora de e-commerce e inovação digital de uma empresa que eu vou chamar de Acme, uma empresa global de 20 anos. Beth administra um time que é considerado uma startup dentro da empresa. A Acme espera que o time de Beth gere 50 milhões de dólares em receita adicional nos próximos 3 anos, seguindo os princípios da startup enxuta.

Mas a Acme não é uma startup. Ela é grande, uma empresa global estabelecida. Como a maior parte das grandes empresas, é baseada em eficiência de escala e vantagem competitiva. Inovação, por definição, é ineficiente.

Todavia, existem alguns truques do mercado, que se bem feitos, podem causar um impacto em grandes empresas que estão tentando ser mais como startups.

1. Faça da falha uma opção.

Um colega disse para mim outro dia: “Eu descobri o que mais me incomoda no meu trabalho. Eu estou trabalhando em uma startup que não tem chances de falhar. Era pra ter falhado meses atrás, mas não falhou”.

Isso acontece com frequência em grandes empresas. Na Acme, Beth deveria passar por uma ameaça real, como um corte de salário, ser despedida, o projeto ser finalizado, ter que despedir ou realocar o seu time. Por outro lado, se ela conseguir, ela deve ser recompensada. Se a tarefa era construir uma receita nova de 50 milhões, ela deve ser recompensada pelo sucesso, uma promoção, participação nos lucros, um aumento.

A questão é que, o time criando o MVP dentro de uma grande empresa precisa, realmente, agir como uma startup. O salário da equipe precisa vir de um investimento, assim como as outras despesas, e o investimento deve vir com expectativa de pagamento. Se esses objetivos não existirem, o investimento não deve existir. Se o investimento não existir, o time não tem mais essas vagas. Eu sei que é meio extremo, mas sem as consequências, muitos times fracos vem e vão, vem e vão, vem e vão…

2. Traga as pessoas certas a bordo

Jim Collins no clássico best-seller Good to Great (Empresas feitas para vencer, no português) escreveu: “Os executivos que dispararam as transformações de impacto não sabiam, primeiro, para onde levar o ônibus e depois alguém entrou no time para levar pro lugar certo. Não, eles primeiro conseguem as pessoas certas e daí descobrem para onde levar o ônibus.

Grandes empresas podem se fazer de trouxas pensando que a Maria do marketing vai ser uma boa para o marketing digital. Errado. A Maria passou os últimos 20 anos trabalhando com produtos físicos. Ela não é a escolha automática para a o lado de inovação digital do negócio.

Startups de verdade são forçadas a procurar novos membros fora da organização. Em um time enxuto dentro de uma grande organização, é inteligente ir por uma estratégia de contratação. Gaste tempo procurando as pessoas certas. Mesmo que demore. Mesmo que signifique contratar pessoas de fora da empresa.

3. Vá para a rua

Novamente, uma lição das startups de hoje em dia. Para elas isso é fácil, provavelmente porque elas não tem um escritório próprio para começar. Mesmo quando elas crescem e tem seu primeiro espaço próprio, elas não são incomodadas com reuniões internas e processos corporativos, então elas tem mais liberdade para “ir para a rua”.

Gaste tempo para identificar qual hipótese seu MVP tem por objetivo confirmar ou excluir, e saia para a rua, conversando com os usuários que já tem e os potenciais, e trabalhe como louco para confirmar ou excluir a hipótese.

Observação: a tecnologia não é obrigatória para cumprir essa etapa. Sim, podemos desenhar protótipos, wireframes, documentos, programar. Mas nada disso é obrigatório para ir para a rua. A única coisa que é obrigatória para entender o público-alvo é saber onde eles estão e ir lá.

4. Crie um MVP realista e disciplinado

Não leva muito tempo para o conceito de MVP significar coisas diferentes para pessoas diferentes. Agarre-se no que diz os princípios. Ele é um produto muito simples que vai permitir testar o conceito. Quais são os recursos realmente essenciais? Qual é o mínimo necessário para entregar o projeto?

Criar um MVP é legal. Quando bem feito, pode ser o catalizador que capacita a organização a inovar e se manter no ritmo dos pequenos competidores. O que não funciona é elevar para aprovações políticas de diferentes departamentos que querem tentar colocar um dedo no projeto do seu MVP.

Usar princípios da startup enxuta dentro de grandes empresas não é impossível, contanto que o time de inovação aja como uma startup de verdade.

Texto original:

https://hbr.org/2015/09/4-tips-for-launching-minimum-viable-products-inside-big-companies

Ajude a espalhar o conteúdo